Músicos lançam álbum em homenagem a Caetano Veloso e Gilberto Gil

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WhatsApp Image 2021-10-18 at 09.45.19Dois nomes icônicos da música popular brasileira, Caetano Veloso e Gilberto Gil completam 80 anos em 2022. A celebração em torno dos tropicalistas relacionada à data, porém, já teve início. Três músicos baianos, o guitarrista e bandolinista Armandinho Macedo, o pianista e tecladista Yacoce Simões e o percussionista Marco Lobo acabam de lançar nas plataformas digitais o álbum Retocando Gil e Caetano. A performance dos três pode ser apreciada em vídeo, a partir de amanhã, no canal da gravadora Biscoito Fino, no YouTube.

Admirador da arte de Armandinho, Caetano é só elogios ao se referir ao músico que integra o grupo pop A Cor do Sim e lidera a banda do mítico Trio Elétrico de Dodô e Osmar. “Armandinho é um músico da melhor e mais extraordinária tradução de virtuosismo popular da música brasileira, porque ele está ligado ao frevo do trio elétrico e ao choro. Pra mim, é um dos músicos mais importantes do Brasil, na verdade da história da música popular brasileira. Tem uma enorme modéstia pessoal, o que é tocante. Ele nem pensa nisso, o que é muito bonito”.
Yacoce destaca o critério para a definição do set list do Retocando Gil e Caetano. “Levamos em consideração as relações afetivas e emocionais que nós três temos com cada uma das composições. Criamos listas individuais e, ao compará-las, cerca de dois terços do repertório já estava selecionado”. Ele acrescenta: “Adotamos uma perspectiva que preserva a melodia das canções, mesmo em formato instrumental. Nesse projeto, a voz das canções é substituída pelo bandolim, a guitarra baiana, o piano e a percussão, que trazem novos arranjos e sonoridades a essas pérolas que Gil e Caetano, nossos mestres e conterrâneos, presentearam a humanidade.”
Percussionista, pesquisador de sons e ritmos e criador de instrumentos, Marco Lobo ressalta a importância do autor de Domingo no parque. “Gilberto Gil é parte importante da minha formação musical. A sua forma especial de tocar o violão sempre me encantou. Com suas letras e músicas atemporais, Gil consegue transitar com propriedade por diversos estilos musicais, como rock, funk, reggae, música africana e ritmos tipicamente brasileiros”. O instrumentista lembra que já tocou com o ídolo. “Foi tocando na turnê Gil & Milton que pude sentir a sua energia contagiante no palco e sua generosidade com os músicos. Ele vem influenciando gerações e inspirando novos músicos com a genialidade de sua obra. Viva Gilberto Passos Gil Moreira!”.

» Entrevista / Armandinho Macedo

De quem foi a iniciativa do projeto Retocando Gil e Caetano?
João Neto, que é meu filho e empresário, sempre faz sugestões de projetos para que eu possa desenvolver. Atualmente, ele faz curso na Universidade de Coimbra, em Portugal. Antes de viajar, propôs este com o qual homenageamos Gilberto Gil e Caetano Veloso, que são nossos ídolos e companheiros de ofício, antecipando a celebração dos 80 anos de ambos. Achei a ideia interessante e logo entrei em contato com Yacoce Simões, com quem trabalho há vários anos, que aceitou o convite com entusiasmo e sugeriu a participação do Marco Lobo, um grande percussionista baiano, com elogiada atuação, atualmente radicado no Rio de Janeiro. Juntos viabilizamos esse projeto.

O trabalho foi desenvolvido em quanto tempo?
Entre a escolha do repertório, a criação dos arranjos e os ensaios no estúdio de Yacoce e as gravações, na Sala de Coro do Teatro Castro Alves, a duração foi de um mês, mais precisamente em agosto. O conhecimento que tínhamos da obra de Caetano e Gil e a admiração que temos por eles foram determinantes para que o tempo de desenvolvimento do projeto fosse rápido.

Sua ligação é maior com Caetano Veloso. Desde quando acompanha a trajetória dele?
A aparição de Caetano no Festival da Record de 1967 foi um marco na minha vida. Eu era um beatlemaníaco, naquela onda de guitarra que rolava na época, mas quando o Caetano se apresentou com Alegria, alegria eu vi a energia sonora que fazia a minha cabeça. Abriu-se ali uma porta, com várias tendências da MPB. Era a minha onda. Já fui transformando o cavaquinho de Osmar e Dodô numa guitarra e botei o nome de guitarra baiana.

Já o acompanhou em show?
Só toquei com Caetano nas vezes em que, no carnaval de Salvador, ele subiu no Trio Elétrico de Dodô e Osmar e cantou, o que sempre foi uma honra para nós.

Há uma música que ele compôs em sua homenagem. Como se sentiu ao ouvi-la pela primeira vez?
Foi com surpresa e orgulho que escutei numa rádio no Rio de Janeiro. Eu me senti muito honrado e orgulhoso, não nego, quando escutei numa rádio do Rio de Janeiro a música Armandinho, que Caetano fez pra mim e gravou num daqueles compactos com frevos, que lançava na época do carnaval, na década de 1980.É uma homenagem consagradora que agora gravamos nesse projeto instrumental de releituras.

Você se lembra de mais algum fato que o liga ao ídolo?
Certa vez, estava em em Israel, onde fui me apresentar, quando Caetano passou por Tel Aviv com uma turnê. Fui assistir ao show e ele me chamou para subir ao palco e cantar com ele Vida boa, música do repertório do Trio Elétrico de Dodô e Osmar, que até hoje faz muito sucesso no carnaval de Salvador.

Você, Yacoce e Lobo vão levar Retocando Gil e Caetano para o palco?
Vamos sair em turnê, sim, com o show desse projeto. A ideia é fazer apresentações em algumas capitais brasileiras, inclusive Brasília, e também no exterior. Mas, por enquanto, estamos na fase de divulgação do álbum. (Fonte: Correio Braziliense).

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