Riachão: Mulher é atacada por raposa, leva voadora, e é salva pelo marido

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WhatsApp Image 2021-10-05 at 00.04.59 (1)O caso é inusitado, e até parece mentira de caçador. Mas é real. No último dia 21 de setembro, uma terça-feira, por volta das 17h, a Agente Comunitária de Endemias, Silvia Guimarães Soares (Silvinha), 44 anos, foi atacada por uma raposa “arruinada” quando cuidava de sua horta, na Fazenda Pocinha, na região da Mansinha, a 3 km do Povoado de Vila Guimarães, em Riachão do Jacuípe, Território da Bacia do Jacuípe, Bahia.

De acordo com relatos de Silvinha, a raposa estava “arruinada” e ela conseguiu escapar após muito esforço e uma luta corporal com o animal. “Eu nem sei explicar direito como tudo aconteceu e como eu consegui escapar de uma situação tão difícil. Acho que foi Deus que me salvou. Na hora, eu lembrei de minha filha de 2 anos e achei que, ali, era ou eu ou a raposa”, revela.

IMG-20211003-WA0062O ataque aconteceu no final da tarde, justamente quando Silvia estava cuidando da pequena horta que mantém na propriedade da família. “Eu estava de costas, limpando um feijão e uns pés de milho. De repente, percebi uma raposa pular em cima de mim, por trás. Eu tomei um choque tão grande que acho que ela também se assustou e correu pra dentro do capim mais alto”, contou.

Como que tomando fôlego para narrar o fato, a vítima continua: “Mas logo ela retornou e voou na direção do meu pescoço. Aí eu consegui agarrar ela com as mãos e apertei pelo pescoço. Só que eu escorreguei na lama, mas cai sobre ela, segurando com as mãos. Eu gritei por socorro e segurei a raposa até o limite de minhas forças”.

O socorro

20211003_111543Esposo de Silvia Guimarães, o ex-vereador e atual corretor de imóveis Antonio Leomor Oliveira Carneiro, 54 anos, mais conhecido por Del, que estava afastado do local em que sua mulher travava a luta com a raposa, relata como foi o momento que ouviu os gritos da mulher.

“Eu estava a uma distância de uns 200 metros e ouvi ela gritando e pedindo ajuda. Eu corri desesperado e nem sei como consegui chegar tão rápido, porque tinha muita coisa na frente, como cerca e a represa. No início, pensei que ela tivesse sido mordida por uma cobra. Quando me aproximei, eu ouvia ela dizendo: ‘Corre, Del, eu não tô aguentando mais’. Aí eu percebi ela segurando uma raposa, foi quando eu cheguei e tomei de suas mãos, segurei e chamei um rapaz que estava perto para me ajudar. Eu segurei o ‘bicho’ e ele terminou de matar com um porrete”.

No último domingo (03/10), a reportagem do Interior da Bahia esteve no local para apurar o caso quase inusitado. O ex-vereador Del mostrou o local em que sua esposa foi atacada e para onde ela levou a raposa após conseguir dominá-la com as suas mãos.

IMG-20211003-WA0073“O lugar que a raposa atacou foi aqui”, diz, apontando com o dedo, “mas Silvinha conseguiu lutar com ela e parou com quase 50 metros”, acrescenta, apontando o lugar em que o animal foi morto.

“Quem não viu, quase nem acredita, porque realmente foi uma coisa estranha. E foi muita sorte também, porque muitas vezes Silvinha (a esposa) vem sozinha ou com a filha. E se eu não tivesse aqui para socorrer, não sei não, acho que era muito complicado, pois a raposa estava arruinada”, acrescenta Del.

Hospital e soro

Após conseguir se livrar do animal, Silvinha foi socorrida pelo esposo e levada de moto para o povoado de Vila Guimarães, a cerca de 3 km. “A sorte que eu estava com minha moto e levei ela correndo para Vila Guimarães. Lá eu peguei o carro e fomos para o Hospital Municipal, em Riachão. Mas logo pediram para transferir para o Clériston Andrade, em Feira de Santana. Ela foi na ambulância, porque estava toda ensanguentada”, diz o ex-vereador.

IMG-20211003-WA0041Segundo o corretor de imóveis, quando chegou ao Clériston Andrade, Silvia teve que tomar quatro tipos de soro. “Nós levamos a cabeça da raposa e a Secretaria de Saúde de Riachão constatou que o animal havia contraída a raiva. Então, Silvia teve que tomar quatro tipos de soro, e ainda está tomando”, informou.

A raiva é uma doença transmitida por alguns animais que, se não for tratada, pode até matar. Por isso Silvia teve que tomar o soro antirrábico, certamente o mais apropriado para a sua situação.

Refeita do susto e mostrando as cicatrizes dos arranhões pelo corpo, consequência da luta que travou com a raposa, Silvia atendeu nossa reportagem no seu Mercadinho, em Vila Guimarães, e encara com bom humor quando falam do seu heroísmo. “Olha, eu nem sei explicar. Eu nem sei como suportei tudo, porque não posso ver sangue, posso desmaiar, mas eu lembrei de minha filha e pensei comigo: eu não posso morrer. Aí eu lutei, mas quando Del chegou, eu já estava no meu limite”, lembra.  

Outros casos de ataques de raposas também foram registrados no município de Riachão do Jacuípe recentemente. Um aconteceu na região de Campinas, e o outro entre os povoados de Campo Alegre e Malhador. (Fonte: Interior da Bahia).

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