Capela: Histórias e lembranças das grandes safras no município

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02O município de Capela do Alto Alegre, na Bacia do Jacuípe, já viveu anos de muita safra na colheita do feijão e do milho.

O capelense Celso Alves Maciel, conhecido como Deto de Bobó, agricultor local, de 56 anos, em entrevista ao Interior da Bahia, falou sobre suas lembranças dos bons tempos no município.

“Na safra de 1988, lembro que colhi 80 sacos de milho e 56 de feijão, plantei em 10 tarefas de terra que me foram cedidas por Louro do tabuleiro, nesta safra, Fazendeiros como Ze Lial e Roque de Arnerio, tiveram grande colheita.

Paulinho de Duarte mesmo plantou 100 tarefas de milho e feijão, eu plantei 10, e tive 136 sacos no total, por aí tiramos uma base.

Na época fizemos o plantio financiado pelo Banco do Brasil, 1988 foi um ano de muita chuva.”

03Deto falou sobre como foi comercializar a colheita:

“O Banco do Brasil comprou a safra do município, na época por 3 cruzados, nos outros anos de boas safras o feijão era vendido para fora, o atravessador (nome dado a quem comprava a colheita na época para vender fora), ele comprava de caminhão e levava pro Rio, São Paulo e outros estados e lá era vendido, dentro do município ninguém comprava, porque todo mundo tinha safra”

De acordo com Deto, não podemos esquecer de outros cultivos na história do município:

“Havia muito plantio de mandioca, na década de 1980 tinha bastante casas de farinha, também tinha muito sisal há 20 anos atrás, era a maior economia do nosso município, hoje é o leite de vaca que faz essa função, de onde muita gente tira sua renda”.

05A mamona também já foi muito cultivada em solo Capelense no século passado:

“Da década de 1980 pra trás havia muita mamona, a cultura da mamona acabou, porque, pra colher não era fácil, tinha que cortar os cachos, bater, e havia um pensamento de que quando o gado comia, morria”.

Deto se recorda, com saudade, de como era a época das colheitas:

04“O bater do milho e do feijão era no cacete, havia o que era conhecido como boi roubado. Claro que a máquina desenvolveu e agilizou o negócio, porém, antigamente a batida de feijão era uma festa, todos cantavam, conversavam, se distraíam. ”

“Era só chamar a turma e dizer: amanhã tem a roça de fulano, reuniam-se de 15 a 20 pessoas, e assim todo mundo ia se ajudando, se juntava pra bater o feijão, se juntava na hora de raspar a mandioca, fazer farinha, beiju, depois a gente carregava para dentro de casa, de carroça de boi. ”

07“Nessa época havia a roda de moer a mandioca, onde o moedor cantava roda e girava, a roda de moer mandioca era perigosa, algumas pessoas até perdiam os dedos em acidentes, assim como ocorre hoje, com o uso do motor”.

Por fim, Deto falou sobre a diferença da época, para hoje no tocante ao plantio:

“Sobre milho e feijão, o ano de 2015 também foi uma boa safra, mais não como antes, até porque a terra de hoje é muito revirada por trator, o 09que acaba tirando o adubo, bagunçando a terra, há 6 anos não temos uma boa colheita de feijão, mas, lá pra frente, poderá ter um outro bom ano nos esperando ”

Por Alan Rodrigues / Interior da Bahia

Equipe de Jornalismo

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