Fagner e Zé Ramalho lançam CD/DVD de show que fizeram juntos

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ze-fagnerEnquanto o discurso de ódio e preconceito contra os nordestinos invadia as redes sociais, duas vozes inconfundíveis se casavam no palco, reafirmando o orgulho pela cultura de suas origens musicais.

Autores e intérpretes consagrados, o cearense Raimundo Fagner e o paraibano Zé Ramalho se juntaram no Theatro Net Rio (ex-Tereza Rachel), no Rio de Janeiro,  entre 28 e 30 de julho, para a gravação do CD/DVD Fagner & Zé Ramalho Ao Vivo (Sony Music).

Experiência e sucessos celebram esse encontro musical, que acaba de ser lançado no mercado em formato duplo.  Raimundo Fagner Cândido Lopes trouxe a marca de sua voz personalística em interpretações contundentes. José Ramalho Neto, igualmente dono de uma singular performance vocal, de tom grave e quase falada, imprimiu a sua personalidade musical marcada por composições de mensagens proféticas.

Além  de trazerem 17 canções emblemáticas de suas carreiras, os registros fonográficos  selam uma sintonia pessoal e musical  iniciada nos 70. Naqueles anos,  Fagner gravava o seu primeiro LP (Manera Fru Fru Manera/1973), pela  CBS, de onde se tornou diretor artístico, convidando Zé Ramalho para gravar o seu também disco de estreia, que leva o seu nome.

Quatro décadas depois, eles se sentem merecedores desse projeto que, embora não tenha músicas novas, tem como ineditismo ouvir  Fagner emprestando a sua voz às músicas de Zé Ramalho e vice-versa.

“Eu escolhi as canções de que mais gosto do Zé e ele selecionou as que mais gosta do meu repertório. Aconteceu essa troca, com a ajuda do (produtor) Robertinho do Recife. O resultado foi uma releitura das nossas trajetórias, da nossa bagagem musical, desses 40 anos de estrada fazendo música brasileira com o pé no Nordeste, procurando imprimir o máximo de identidade das nossas carreiras e do nosso som. Zé é meu vizinho, somos compadres, foi ele quem veio com a ideia de refletirmos sobre o que tínhamos feito”, contou Fagner, em entrevista.

O trabalho rendeu novas leituras para sucessos como Mucuripe, Chão de Giz,  Revelação, Garoto de Aluguel, Noturno, A Terceira Lâmina e Fanatismo. Também no repertório,  canções mais inusitadas, como Dois Querer, Pelo Vinho e Pelo Pão, Kamikase e Canção da Floresta.

Com produção musical de Robertinho de Recife (produtor de vários discos de RF e de todos os de ZR, a partir de 1997), o CD/DVD têm arranjos assinados por Fagner e Zé Ramalho.

No elevador

Gravar  juntos um show inteiro já era um projeto antigo dos dois artistas. Fagner e Zé Ramalho, moradores do mesmo prédio, no bairro carioca do Leblon, viviam a combinar entre um encontro e outro no elevador. Entretanto, cada um cuidando de suas carreiras, o plano foi sempre sendo adiado.

Ao longo de suas trajetórias, chegaram até a registrar algumas faixas em dupla, como Garrote Ferido (Zé Ramalho) e Filhos do Câncer (Zé Ramalho/Fagner). Mas o fato é que Fagner & Zé Ramalho Ao Vivo só aconteceu agora, com a permissão da agenda dos dois e com o incentivo da Sony, gravadora de ambos.

“Os ensaios aqui, em casa, foram muito produtivos, o que, aliás, acontecia muito no passado, quando o Zé vinha pra cá e ficávamos tocando por horas. Acho que foi ali que este projeto nasceu.  Dessa vez, aprendi muitas canções do Zé que sempre gostei, mas não sabia cantar. A coisa dos dois tocando violão gerou uma química musical muito bacana”, fala Fagner sobre a parceria com o amigo Zé Ramalho, que não concedeu entrevista por motivos pessoais, segundo a assessoria da Sony.

Cair na estrada carregando o projeto Fagner & Zé Ramalho está nos planos dos dois, segundo Fagner. “É óbvio que o público quer ver os artistas no palco, apresentando o que foi gravado. Mas a ideia é que o trabalho chegue primeiro às pessoas. Minha previsão mercadológica é que este pode ser um CD que vai fluir nos ambientes de barzinhos. Depois, iremos atrás para ampliar a divulgação com um show acústico”, diz  Fagner, revelando que o seu anunciado projeto de gravar um CD de música libanesa sai  em 2015.

 

Equipe de Jornalismo

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