Retorno: Banda Cordel do Fogo Encantado está de volta aos palcos

0

lirinhaJosé Paes de Lira, o Lirinha, rumou para Recife assim que recebeu a notícia da morte de Naná Vasconcelos, aos 71 anos, na manhã de março de 2016. Seguiu para o sepultamento do mestre da percussão brasileira, onde encontrou Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz).

Ali estava o Cordel do Fogo Encantado, banda nascida de uma performance teatral, revolucionária ao inserir a poesia e a tradição do cordel – como são chamadas as histórias contadas pelo interior de Pernambuco –, com uma poderosa percussão colocada na linha de frente. “Quando saí da banda, o Naná ficou sentido”, conta Lirinha, sobre o momento no qual seguiu carreira solo, em 2010, e o Cordel do Fogo Encantado chegou ao fim.

A voz do músico de Arcoverde, cidade do sertão pernambucano, a 250 km da capital, engasta ao deixar de ser uma lembrança e se tornar som. “Ele achava que não deveríamos parar por conta da contribuição que dávamos ao elemento percussivo da música. Ele tinha uma visão política disso, com o fato de a percussão reverberar o terceiro mundo, a África e a América Latina, e que nós a colocávamos em destaque, tirado do que chamamos de música de cozinha. Com a gente, ela era protagonista.”

ARQUIVO  20/02/2018   CADERNO2 / CADERNO 2 / C2 / USO EDITORIAL RESTRITO / Imagens exclusivas do Caderno 2 sobre a volta da banda Cordel do Fogo Encantado  Crédito: Tiago Calazans

Ao lado dos antigos companheiros de banda, a lamentar a partida do percussionista que produziu o primeiro disco da banda, chamado “Cordel do Fogo Encantado”, de 2001, Lirinha sentiu o embrião do retorno. “A gente deveria fazer um show em homenagem a Naná”, disse ele aos outros. “Acho que esse momento foi o primeiro passo para a nossa volta”, explica.

A partir desta sexta-feira (23), o Cordel do Fogo Encantado está de volta. Sua discografia completa, com os três discos (o primeiro, já citado, “O Palhaço do Circo Sem Futuro”, de 2002, e “Transfiguração”, de 2006), enfim entra nas plataformas de música digital (nos serviços de streaming, como Spotify, Deezer e iTunes).

Desde janeiro do ano passado, a banda se reúne no Recife para elaboração de um novo álbum de inéditas, agora já em fase de finalização.

Com o título de “Viagem ao Coração do Sol”, o quarto álbum do Cordel foi gravado efetivamente no estúdio El Rocha, em São Paulo, e em Fortaleza, no Totem, de Yuri Kalil, que também é responsável pela mixagem do álbum. O disco chega em 6 de abril. E a partir da segunda quinzena do mesmo mês, a banda inicia a turnê. Todo o processo foi mantido em segredo pelos integrantes da banda – as notícias que saíram até então partiam de especulações e entrevistas com conhecidos do grupo. Agora, é para valer. “Queria muito poder dar essa notícia (da volta) para o Naná”, encerra Lirinha. (Informações do jornal O Tempo).

 

Equipe de Jornalismo

Deixar um comentário