Segunda fase de ‘Velho Chico’ mantém poesia com trama clichê

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Sem títuloQuando estreou em março, a novela Velho Chico logo chamou a atenção pelo capricho do diretor Luiz Fernando Carvalho, um entusiasta da beleza estética, que pesa a mão na hora de escolher belos figurinos, ângulos criativos e uma fotografia impecável. Também conquistou a trama lúdica, romântica, que viria para quebrar o ritmo de roteiros pesados dos últimos folhetins do horário nobre da emissora. Porém, a fórmula interessante mostrou sinais de desgaste nesta segunda-feira, com o início da segunda fase da trama.

O foco do episódio foi o retorno de Maria Tereza, vivida por Camila Pitanga, à fazenda da família. Ela e o marido Carlos Eduardo, um engomadinho Marcelo Serrado, surgem para o aniversário de 100 anos de Encarnação (Selma Egrei), agora uma mulher mais triste que amarga. A centenária recebe bem Tereza, com quem trocou tantas farpas no passado.

Apesar dos quase 30 anos que separam a primeira da segunda fase, Tereza ainda sustenta características da adolescente chorona e inconsequente que finalizou a trama na semana passada. Lágrimas furtivas surgiram com pouca necessidade e até uma briga entre pai e filha aconteceu enquanto a moça, bêbada, se esbaldava na festa com os funcionários da casa. “Eu tava com saudade de mim”, diz, antes de fugir de cavalo sem rumo.

Enquanto isso, Antonio Fagundes, que substitui Rodrigo Santoro na pele de Afrânio, perde a aura de poder e surge quase como uma figura folclórica, de ternos coloridos e cabelos pintados – o acompanha no figurino exótico a esposa Iolanda, agora uma pomposa Christiane Torloni. Contudo, o pior foi a diferença entre as personalidades do Afrânio do passado e do presente. Pouco ficou da relação entre Fagundes e Santoro. O personagem ainda se perde na dualidade do homem libertário, se o assunto é seu romance; e extremamente moralista, quando o foco é a filha.

Em tempos modernos, a novela sofre com o anacronismo não só do ambiente retrô fora de época, mas também das ideias que não conseguiram evoluir. Elementos religiosos e fundo político ainda são usados como parte dos diversos enfeites da trama, mas nenhum com grande profundidade. O roteiro insiste em girar em torno dos muitos interessados em Tereza: o marido, o jagunço Cícero (Marcos Palmeira) e Santo (Domingos Montagner), que fez uma participação relâmpago no fim do primeiro episódio.

No geral, a beleza da novela, seu principal atributo, continua inegável. Difícil é saber por quanto tempo a fotografia e o figurino vão sustentar uma trama com tantos clichês típicos do melodrama.

Veja*

Equipe de Jornalismo

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