Morre o escritor Umberto Eco, autor de ‘O Nome da Rosa’, aos 84 anos

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Italian writer Umberto Eco attends the Italian civic movement "Justice & Freedom" protest against Prime Minister Silvio Berlusconi as demonstrators demand his resignation in Milan on February 05, 2011. Italian Prime Minister Silvio Berlusconi laughed off an enquiry into lurid new sex allegations including ties with an underage girl as magistrates were blocked from raiding his offices . AFP PHOTO / GIUSEPPE CACACEMorreu na noite desta sexta-feira, aos 84 anos, o escritor e intelectual italiano Umberto Eco, autor de O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault e O Cemitério de Praga, entre outros romances e livros acadêmicos. A notícia foi confirmada pela família ao jornal italiano La Repubblica. A causa da morte de Eco, que morreu em sua casa, ainda não foi divulgada.

Filósofo, crítico literário, semiólogo e romancista traduzido em mais de quarenta idiomas, o italiano transitava com desenvoltura entre o mundo acadêmico e os best-sellers. Nascido em 1932, na cidade de Alexandria, localizada na região italiana do Piemonte, Eco já era um intelectual respeitado quando lançou seu primeiro romance, O Nome da Rosa, em 1980.

Na obra, um frade franciscano inspirado em Sherlock Holmes investiga crimes misteriosos em uma abadia na Idade Média. A mistura de erudição e narrativa envolvente agradou público e crítica, e o livro foi um sucesso mundial. A obra ganhou uma também bem-sucedida adaptação para o cinema com Sean Connery – e transformou Eco em um dos maiores fenômenos literários do século XX.

Sobre a conciliação entre suas duas facetas – a de acadêmico e a de autor pop -, Eco dizia: “Eu sou um filósofo. Escrevo romances apenas aos fins de semana”. A estética medieval, as seitas secretas e, claro, as teorias conspiratórias são temas recorrentes na obra do escritor – um fascínio que ele compartilhava com seus milhões de leitores.

 

Em O Pêndulo de Foucault, um plano conspiratório feito por diversão sai do controle quando os personagens passam a ser perseguidos por uma sociedade secreta real. Em O Cemitério de Praga, que se passa no final do século XIX, o avô do protagonista é um antissemita que acredita que maçons, templários e illuminatis orquestraram a Revolução Francesa. No seu último romance, Número Zero, lançado no ano passado, um comendador cria um jornal somente para chantagear seus inimigos.

“A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta”, disse Eco à Revista VEJA em 2015. “O perigo está nas conspirações falsas, pois você não consegue desmenti-las – mas elas se prestam à manipulação: quem quiser tirar proveito delas poderá montar contraconspirações muito reais.”

Tanta conspiração rendeu um gracejo que Eco gostava de repetir em suas últimas entrevistas. “Eu inventei Dan Brown”, dizia ele, com uma boa dose de acidez, sobre o autor de O Código Da Vinci. “Ele é um personagem do meu romance O Pêndulo de Foucault. Eu o inventei. Ele compartilha da fascinação de meus personagens pelo mundo das conspirações. Suspeito que Dan Brown nem sequer exista.”

Em junho de 2015, por ocasião do lançamento de Número Zero, o escritor recebeu a reportagem de VEJA para falar de literatura, jornalismo e também internet. “Com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende”, disse. “A internet é como Funes, o memorioso, o personagem de Jorge Luis Borges: lembra tudo, não esquece nada. É preciso filtrar, distinguir. Sempre digo que a primeira disciplina a ser ministrada nas escolas deveria ser sobre como usar a internet: como analisar informações.”

Equipe de Jornalismo

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