Riachão: Júri que condenou assassino de Betuca é marcado pela emoção

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juriO júri popular que condenou o senhor Paulo Cristiano Cunha de Souza, acusado de ter botado fogo no corpo e matado o motorista Alberto Santos Silva, o Betuca, foi marcado com muita emoção. O crime aconteceu no dia 05 de maio de 2012, em Riachão do Jacuipe.

Realizado no Auditório da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) em razão de o Fórum Felinto Bastos estar em reforma, o júri começou por volta das 09 horas desta terça-feira (12) e só encerrou aos 30 minutos da madrugada desta quarta-feira (13), com intervalos a cada duas horas.

Aguardado com muita expectativa devido à forma como o crime aconteceu, além de peculiaridades como o fato de envolver pessoas de uma mesma família, o julgamento também foi marcado com muita emoção. Já na chegada do Auditório da Uefs, familiares de Betuca, que compareceram em grande número em um ônibus, portavam faixas cobrando justiça.

Dentro do Auditório, os depoimentos foram marcados por muita emoção e contradições, fatos que podem ter sido determinantes para a decisão dos jurados e a sentença do acusado.

Depoimento comovente

Talvez o momento mais emocionante do júri tenha sido o depoimento de Aldimira de Souza Silva Oliveira, uma das testemunhas de acusação e filha de Betuca, que viu o bárbaro crime, ocorrido em sua residência, em Riachão do Jacuipe.

Antes de prestar o seu depoimento, Aldimira ouviu palavras de apoio do seu irmão Aldemir, que lhe pediu para ter tranquilidade e lhe desejou forças para poder concluir em paz. Apesar de não ter conseguido segurar a emoção, Aldimira foi forte e concluiu o seu depoimento marcante e comovente, arrancando lágrimas de todo o Auditório.

Além de Aldimira, foram testemunhas de acusação também o senhor Jorge Dórea, Márcio Adriano Dórea e Dra. Gleide Marcia, que acompanhou Betuca quando o mesmo foi encaminhado para o HGE, em Salvador. O depoimento de Dra. Gleide também se tornou importante no júri, pois foi a ela que a vítima confessou quem havia ateado fogo em seu corpo.

Contradições

Sem ter a intenção de colocar o réu apenas numa posição de vulnerabilidade, a verdade é que os fatos deixaram o seu advogado, Dr. João Veloso, numa situação ruim para a defesa. As próprias testemunhas, a maioria de Nova Fátima, prestaram depoimentos contraditórios, o que pode ter sido determinante para a decisão dos jurados.

Um dos fatos trazidos à baila nos questionamento às testemunhas de defesa foi em relação ao horário e o local em que estavam na hora do crime, além da relação que tinham com o acusado. Outro detalhe importante foi como e quando tomaram conhecimento do crime, praticamente todas as testemunhas informaram que souberam através da Rádio Jacuipe, o que lhes tirava a prova ocular. Algumas dessas informações, ao serem confrontadas, muitas vezes não batiam, o que deixava a defesa sem muita argumentação.

Tensão no júri

Os jurados concluíram as suas votações por volta das 23 horas de terça-feira, mas a sentença proferida pela juíza Kátia Mendes só foi divulgada já aos 30 minutos do dia seguinte, na quarta-feira (13). Nesse intervalo, uma tensão tomou conta do ambiente. De repente, Paulo Cristiano e o seu advogado deixaram a sala do júri, deixando todos preocupados.

Os policias começaram a se movimentar e logo retornaram acompanhados de Paulo Cristiano, que, segundo as informações, teria ido ao carro do advogado pegar alguns livros. Enfim, foi emoção do inicio até o encerramento do júri.

Da redação do site Interior da Bahia, com foto de Aldemir Silva

 

Equipe de Jornalismo

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