De forte cunho social, novela “O rei do gado” volta ao ar hoje em meio às comemorações dos 50 anos da Globo

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Primeira novela a abordar questões como o conflito dos sem terra e a reforma agrária, “O rei do gado” foi escolhida para a ocupar o “Vale a pena ver de novo” quando a Globo comemora seus 50 anos. O folhetim de Benedito Ruy Barbosa, exibido originalmente em 1996, volta ao ar nesta segunda-feira (12), após “Cobras & lagartos”.

“Fico feliz que a novela continue sendo exemplo de um bom momento da dramaturgia brasileira. Uma boa obra do passado pode se tornar um conteúdo datado. Talvez a atualidade de “O rei do gado” resida no fato de o Brasil não ter resolvido muitas dessas questões que a novela apresentava”, destaca Luiz Fernando Carvalho, diretor-geral do folhetim, que já foi reprisado no “Vale a pena ver de novo” (1999) e no “Viva” (2011).

O diretor ressalta que tinha vontade de representar o momento social brasileiro da época. Tanto que Luana, boia-fria vivida por Patrícia Pillar, acabou ganhando um perfil diferente do previsto. “Luana seria uma andarilha. Quando eu li aquilo, imediatamente propus ao Benedito, um autor com forte ligação com o social, que a ligássemos ao Movimento dos Sem Terra”, relata.

A partir da mudança de perfil, a caracterização da personagem foi reformulada. “Escondi ela por trás do cabelo, fiz uma maquiagem que a deixasse maltratada pelo sol. E coloquei a Patrícia para morar e trabalhar numa comunidade de cortadores de cana no interior de São Paulo por 15 dias. Ela passaria a representar uma ideologia”.

Movimento Sem Terra

Na trama, em peregrinação com o MST, Luana invade as terras do latifundiário Bruno Mezenga (Antonio Fagundes). Encantado com a beleza da moça, o rei do gado acaba empregando a boia-fria em uma de suas fazendas. “No primeiro olhar, ele já sabia que ia se apaixonar por aquela mulher, o que é um conflito, pois ele era um latifundiário, e ela, uma sem-terra”, comenta Fagundes.

O movimento da ficção foi liderado por Regino (Jackson Antunes), personagem inspirado no ex-líder do MST José Rainha, afirma o diretor. “Benedito tinha contato direto e diálogos frequentes com o Rainha, que o inspirou a compor o Regino. E a mulher dele, Diolinda Alves de Souza, foi a inspiração para ele escrever Jacira (Ana Beatriz Nogueira), mulher de Regino”.

O ativista foi o quarto trabalho de Jackson na televisão e dos mais representativos na carreira do ator, que está no ar agora como o dono de bar Manoel em “Império”. “O Regino foi um marco para mim, pois se trata de um personagem muito forte. A novela levantou ainda questão de Carajás (o massacre ocorrido em Eldorado dos Carajás, que deixou 19 sem-terra mortos), muito discutida na época. Benedito foi muito feliz em sua abordagem”, diz Jackson, que ficou um mês e meio alojado num acampamento dos sem-terra, em São Paulo.

Corrupção

Outra questão era a falta de comprometimento dos políticos. Na trama, Carlos Vereza vivia o senador Roberto Caxias, oásis de correção em um congresso corrupto. “Ele era o último baluarte da moralidade, uma figura meio quixotesca”, comenta o diretor.

“O Rei do gado” teve uma fase inicial, passada durante a Segunda Guerra Mundial. Fagundes, que participou das duas fases do folhetim (como Antônio, o avô, e Bruno, o neto) e contava com um mês de intervalo entre os personagens, acabou tendo apenas 12 horas. “Acabei não tendo tempo para me preparar. Dormi de um jeito e acordei de outro, mas foi maravilhoso”, diz o ator.

Equipe de Jornalismo

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