Riachão: Lágrimas e buzinaço marcam sepultamento do caminhoneiro Gilson

0

O corpo do caminhoneiro Gilson Mário Carneiro Santos, 33 anos, morto em um acidente que envolveu duas carretas, na BR-101, próximo à divisa Bahia/Sergipe, no dia 17 de maio passado, foi sepultado no final da tarde desta quinta-feira (18), sob grande comoção popular.

Comprovando o quanto era querido, o sepultamento do caminhoneiro foi acompanhado por centenas de pessoas, que se aglomeraram na Capela do cemitério de Riachão do Jacuipe para se despedir do grande amigo, como quase todos faziam questão de ressaltar.

 

 Apesar de já ter se passado mais de dois meses à espera do corpo, já que foi levada uma prova para exame de DNA em Salvador, logo após o acidente, muitos não conseguiram segurar a emoção. Parentes e amigos choravam a todo instante, também sentidos pela dor dos pais e irmãos da vítima, que estavam inconsoláveis.

 

O ato fúnebre durou mais de duas horas em razão das pregações e de manifestações individuais de parentes e amigos de Gilson Mário. Emocionado, o caminhoneiro Jorge Mario de Oliveira Carneiro falou em nome dos colegas.

 

“Muitas vezes as pessoas discriminam e dizem: Ah, é caminhoneiro é da droga. Mas não é assim. Nós somos trabalhadores da estrada. O que aconteceu com Gilson pode acontecer com qualquer um de nós, pois o nosso caminho é o mesmo. Eu tenho uma filha de 11 meses e todo dia eu penso por ela. Outro dia nós conversávamos, e ele (Gilson) puxou a carteira do bolso e me mostrou a foto de sua filhinha, dizendo pra mim: aqui é minha princesa”, disse Jorge Mario.

 

Prestigiando a família, Maria Raimunda Carneiro Rios, esposa do empresário Miinho, proprietário da carreta dirigida por Gilson Mario, também elogiou o ex-funcionário. “O pouco tempo que ele trabalhou na empresa, mostrou para nós que era uma pessoa equilibrada, alegre e amiga. Percebemos o quanto ele era família, pela sua esposa, os seus pais e irmãos. Parabéns à família por tudo isso”, disse a professora Raimunda, como também é conhecida.

 

Também presente no sepultamento, a prefeita Tânia Matos prestou solidariedade á família, mas permaneceu em silêncio o tempo inteiro. O vereador Luiz Valdoberto Carneiro (Beto de Eny), que é primo da vítima e fez um grande esforço para que o corpo fosse liberado, também esteve calado. Apenas no final do ato ele proferiu algumas palavras.  

 

Visivelmente emocionado, o pai de Gilson Mario, Nelito da Nogueira, o tempo inteiro permaneceu ao pé do caixão. Ao se aproximar do final do ato fúnebre, erguendo a foto do filho como se fosse um troféu, ele tentou pronunciar algumas palavras, mas quase foi impedido pela emoção. “Queria falar alguma coisa, mas sei que não vou conseguir. Tá chegando a hora da gente botar ele lá, junto com minha mãe… Agradeço a presença de vocês todos”, falou, mas foi interrompido pelas lágrimas. 

 

Parente da família, Gilfredo Matos Carneiro sintetizou o sepultamento. “Foi de arrepiar aquele buzinaço e isso que ele (Nelito) fez, de segurar a foto de Gilson o tempo todo como um troféu”, comentou para o Interior da Bahia.  

 

Velório e buzinaço

Após chegar a Riachão, vindo de Alagoinhas, o corpo de Gilson Mário foi velado durante a tarde na Capela do cemitério local. Desde a chegada, muitas pessoas foram se despedir do amigo. Na hora do sepultamento, a parte interna da capela e a frente ficaram completamente tomadas.

 

Por volta das 16h50, o corpo foi sepultado. Vestidos una camisa com uma foto de Gilson estampada na frente e uma frase nas costas, vários caminhoneiros fizeram questão de carregar o caixão. Na saída do corpo da capela para o cemitério, eles também fizeram um buzinaço, chamando a atenção de todos.        

 

O relógio marcava quase 17 h quando a sepultura foi fechada. Emocionado desde o inicio, o pai Nelito se despediu do filho com uma última frase. “Vai com Deus, meu filho. Vai meu anjo”.

 

Por Evandro Matos

Equipe de Jornalismo

Deixar um comentário